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Vice de Trump adota tom mais moderado e discursa como herdeiro político para 2028 em convenção

G1
11 de Setembro de 2026 às 11:42
5 min de leitura
No encerramento da primeira convenção nacional do Partido Republicano, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, subiu ao palco prometendo ser breve, depois de ter discursado por quase duas horas no dia anterior. Cumpriu a promessa: falou por menos de meia hora. O presidente voltou a pedir para os eleitores votarem em novembro como se o nome dele estivesse nas cédulas e repetiu a promessa de pagar US$ 5 mil a cada adulto americano caso o Partido Republicano conquiste a maioria das cadeiras no Congresso. “Se os democratas dominarem, eles vão destruir tudo o que foi feito”, afirmou. Trump, no entanto, não explicou como seria feito o pagamento dos US$ 5 mil, nem de onde viriam os recursos. Também culpou os democratas pela inflação e o aumento da imigração ilegal nos Estados Unidos nos últimos anos. Para Vance, democratas 'são o partido do ódio' A imigração, carro-chefe da campanha presidencial republicana de 2024 e uma das principais bandeiras do atual  governo, teve espaço muito menor no discurso de JD Vance. Trump promete US$ 5 mil a cada americano caso Republicanos vençam eleições para o Congresso O vice-presidente adotou um tom mais moderado do que Trump e outras autoridades que passaram pelo palco. Seguiu de perto o discurso preparado no teleprompter e mencionou a imigração ao afirmar que o governo havia revertido o fluxo de entrada ilegal de estrangeiros. O tema voltou a aparecer quando um manifestante na plateia exibiu uma bandeira do México. Vance respondeu que ele deveria então ir para o país latino-americano, mas não prolongou o assunto. Em outro momento, o vice-presidente fez uma declaração que soou como um reconhecimento de que existe descontentamento entre eleitores com algumas decisões do governo: “Não entreguem o país nas mãos de malucos porque vocês não concordam com uma política ou outra deste governo”, disse. Vance também tentou inverter a acusação de que o Partido Republicano promove um discurso de divisão. Segundo ele, são os democratas que representam o “partido do ódio”, enquanto os republicanos querem proporcionar “uma vida melhor” aos americanos. O vice-presidente concentrou boa parte da fala em temas como preços mais baixos, empregos e educação – uma combinação que reforçou a impressão de um discurso voltado não apenas para as eleições legislativas de novembro, mas também para uma possível candidatura presidencial em 2028. Vice ganha espaço como possível herdeiro de Trump O espaço dado a Vance na segunda noite também reforçou sua posição como possível herdeiro político de Trump. Oficialmente, o presidente disse estar cansado. Nos bastidores da convenção, porém, o desenho da agenda pareceu dar ao vice-presidente a oportunidade de se apresentar a um público nacional. Vance falou em tom de presidenciável e citou a própria mulher, Usha Vance, filha de imigrantes indianos, ao retomar uma disputa com Abdul El-Sayed, político democrata e candidato ao Senado por Michigan. A controvérsia começou depois que El-Sayed insinuou que o avô de Vance poderia ter problemas em conhecer Usha por causa de sua origem familiar. Na convenção, o vice-presidente negou a premissa e classificou a insinuação como uma demonstração do que chamou de “ódio” dos democratas. O contraste com Trump também apareceu na discussão sobre cidadania. Na quarta-feira (9), o presidente havia falado em assinar uma ordem executiva para proteger os Estados Unidos de uma “invasão estrangeira”. Vance não retomou essa retórica e fez uma declaração sobre identidade americana. “Toda criança nasce com o direito de ser americana, não pela forma como ela aparenta ou de onde seus antepassados vieram, mas porque ela é americana”, afirmou. A declaração chama atenção diante da política defendida por Trump de restringir a cidadania automática por nascimento para filhos de determinados imigrantes que estejam nos Estados Unidos sem autorização ou com status migratório temporário. Irã fica fora da última noite A guerra contra o Irã, que se estende há meses e pressiona os preços dos combustíveis, praticamente desapareceu do encerramento da convenção. Trump havia tratado do assunto no primeiro dia, quando afirmou que não negociaria com “lunáticos” e voltou a dizer que não permitiria que o Irã tivesse armas nucleares. Na última noite em Dallas, porém, o conflito no Oriente Médio não ganhou destaque. Trump preferiu falar da Venezuela, afirmando que os Estados Unidos “tomaram o petróleo” do país latino-americano, e insistiu repetidamente na necessidade de os republicanos comparecerem às urnas em novembro. Depois dos dois dias de convenção, ficou evidente a tentativa da liderança republicana de concentrar a mensagem eleitoral em economia, custo de vida, empregos e mobilização da base. Temas mais controversos da administração, como a guerra contra o Irã, as prisões e deportações em massa de imigrantes e as declarações de Trump sobre territórios estrangeiros, entre eles a Groenlândia e o Canadá, podem representar um problema principalmente entre republicanos mais moderados e eleitores independentes. Convenção deve ter efeito limitado nas pesquisas Apesar da dimensão do evento em Dallas, é improvável que a convenção, sozinha, provoque uma mudança significativa nos índices nacionais de aprovação de Trump. O público presente era majoritariamente formado por eleitores e ativistas fortemente identificados com o movimento MAGA – Make America Great Again (“Faça a América Grande Novamente”). Nas eleições de novembro, o desempenho republicano deverá depender também das disputas locais e das campanhas individuais para a Câmara e o Senado. Trump chega a essa etapa da campanha enfrentando forte desaprovação, em um cenário no qual inflação e custo de vida permanecem entre as principais preocupações dos eleitores.
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