AO VIVO
LogicaMaster Rádio ao vivo

Redirecionando com segurança...

84 2020 6153 contato@logicahost.com.br
LogicaMaster
80%
LogicaMaster
Modelo de Site Administrativo para a sua Rádio e TV
InícioNotícias G1 Entenda por que editoras de livros no Ceará foram …
G1

Entenda por que editoras de livros no Ceará foram alvo da PF em investigação sobre Mário Frias e 'Dark Horse'

G1
11 de Setembro de 2026 às 03:00
10 min de leitura
Entenda por que editoras de livros no Ceará foram alvo da PF em investigação sobre Mário Frias e 'Dark Horse'

Mario Frias e produtora de filme sobre Bolsonaro são alvos de buscas da PF A operação "Make Up", deflagrada pela Polícia Federal na quinta-feira (10), apresentou uma série de conexões entre distribuidoras de livros didáticos, o deputado federal Mário Frias (PL-SP) e entidades ligadas ao filme "Dark Horse". Parte dessas editoras são localizadas em Fortaleza, no Ceará, e foram alvos de mandados de busca e apreensão pela PF. O cearense Dayvid Moreira Medeiros, dono de editoras em São Paulo, também foi alvo da PF, bem como suas empresas. No centro da investigação está o Instituto Conhecer Brasil (ICB), presidido por Karina Ferreira da Gama, produtora da cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. O ICB firmava contratos com entes públicos para realizar projetos sociais e, depois, subcontratava empresas para realizar os tais projetos, em processos descritos pela PF como suspeitos ou fraudolentos. Entre as empresas suspeitas de envolvimento no esquema estão as editoras de Dayvid, a HD Cultural e a Dinâmica Editora. ➡️ Clique aqui para seguir o canal do g1 Ceará no WhatsApp De acordo com a decisão judicial que embasou a operação da PF, o dinheiro das emendas parlamentares enviadas por Frias percorria um "circuito fechado" entre as empresas investigadas com o intuito de fragmentar os repasses e dificultar a rastreabilidade. Conforme apuração do g1, dos 49 mandados de busca e apreensão cumpridos na operação Make Up, sete foram cumpridos no Ceará, nos municípios de Fortaleza e em Aquiraz, em endereços ligados a outras editoras e aos seus respectivos sócio-proprietários - a maior parte deles familiares de Dayvid Moreira Medeiros. No Ceará, entre os alvos dos mandados de busca e apreensão estavam: Daywson Moreira Medeiros, sócio-proprietário da Mecla Soluções Educacionais (nome fantasia da Mecla Editorial), irmão de Dayvid; Georgia Helena Medeiros Lira, sócio-proprietária da Mecla Soluções Educacionais (nome fantasia da Mecla Editorial), cunhada de Dayvid e esposa de Daywson; Ana Patrícia Aguiar Santos, sócio-proprietária da Cometa Livraria, teve mandado de busca e apreensão cumprido no bairro Quintino Cunha, em Fortaleza; não foi informado vínculo familiar dela com a Dayvid e Dawyson, mas a empresa dela funciona no mesmo endereço da antiga empresa dos dois irmãos; A sede da Mecla Soluções Educacionais (Mecla Editorial) de propriedade de Dawyson Moreira Medeiros e Georgia Helena Medeiros; A sede da Cometa Livraria, no bairro Quintino Cunha, de propriedade de Ana Patrícia Aguiar dos Santos; a Cometa Livraria funciona no mesmo endereço da Gráfica Dinâmica, antiga empresa de Dayvid e Dawyson. O g1 entrou em contato com os investigados pelas redes sociais, mas não recebeu retorno até a publicação desta maté Também foram cumpridos mandados de busca e apreensão contra Dayvid Moreira Medeiros, apontado pela PF como "figura central do grupo editorial" contratado pelo ICB. As duas empresas de Dayvid, a Editora HD Cultural e a Dinâmica Editora, estão sediadas em Rio Claro (SP). O g1 não conseguiu confirmar se os mandados contra Dayvid foram cumpridos no Ceará ou São Paulo. A investigação da PF gira em torno de desvios de recursos de emendas parlamentares para diversas pessoas relacionadas a Mário Frias e empresas ou entidades ligadas a essas pessoas. Entre elas, o ICB de Karina Gama. Em 2025, a entidade recebeu R$ 2 milhões de duas emendas parlamentares de Mário Frias para executar projetos de educação digital e esportes de combate em Pirassununga (SP). O instituto, então, subcontratou empresas para realizar os projetos, que, conforme a PF, nunca foram totalmente concluídos. A Dinâmica Editora, de Dayvid Medeiros, recebeu R$ 400 mil em um desses projetos, cujo material teria sido produzido pela HD Cultural, também de Dayvid, mas o projeto em si nunca foi executado pelo ICB. A Cometa Livraria, que funciona no mesmo endereço da antiga empresa de Dayvid e do seu irmão Dawyson, teria ajudado na "licitação" fraudulenta da ICB que escolheu a Dinâmica Editora. "São fortes, portanto, os indícios de que houve montagem na pesquisa de preço, que já se encontrava, desde o início, direcionada para a contratação da Dinâmica Editora", apontou a Polícia Federal, em documento obtido pelo g1. O papel da Mecla Soluções Editoriais no esquema não foi explicado no documento ao qual o g1 teve acesso, porém, a Polícia Federal destacou que a empresa movimentou dezenas de milhões de reais em alguns meses, a maior parte deles em transações com a Cometa Livraria. O documento também não explica se Dayvid Medeiros ou Dawyson Medeiros tinham relação direta com Mário Frias, mas Dayvid foi sócio de Heric Fabiano Dias, dono da NTT Brasil, que transferiu R$ 750 mil para a produtora de "Dark Horse". (Entenda abaixo) Heric também é irmão Pamella Cristiane Dias, dona do Instituto Super Poder Educacional. Tanto ela quanto o instituto foram alvo da operação da PF. Pamella também tem o cargo de coordenadora editorial da HD Cultural, empresa de Dayvid Medeiros, ex-sócio de Heric. Na decisão judicial que autorizou a operação Make Up e os mandados de busca e apreensão, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino também proibiu as editoras HD Cultural, Dinâmica Editora, Cometa Livraria, Mecla Soluções Educacionais, Instituto Super Poder Educacional e NTT Brasil de participar de qualquer licitação envolvendo poderes públicos. O g1 procurou Dayvid Medeiros, Daywson Medeiros, Georgia Helena, a Mecla Soluções Educacionais e a HD Cultural para comentar a operação. A reportagem será atualizada quando houver resposta. A reportagem não conseguiu localizar Ana Patrícia Aguiar e a Cometa Livraria. Projeto não executado Caixas de materiais pedagógicos em imagem apresentada pelo Instituto Conhecer Brasil no relatório do projeto Jovem Empreendedor. Instituto Conhecer Brasil/Reprodução/Transfergov Em fevereiro de 2025, o projeto Jovem Empreendedor, do ICB, recebeu R$ 1 milhão do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, por indicação de emenda parlamentar de Mário Frias, para desenvolver materiais educativos para 2.250 crianças de escolas públicas e capacitar 250 multiplicadores. Os livros encomendados das editoras foram entregues, mas o projeto nunca foi executado. A execução do projeto estava prevista em Pirassununga, no interior de São Paulo. O ICB, então, contratou uma empresa para fornecer o kit pedagógico formado por três livros didáticos. Seriam 2.500 kits, a um custo de R$ 400 mil. A Dinâmica Editora, do cearense Dayvid Moreira Medeiros, com sede em Rio Claro (SP), foi contratada para realizar o projeto. De acordo com a Polícia Federal, ela concorreu dentro de uma falsa licitação aberta pelo ICB, na qual as outras empresas "concorrentes" também eram ligadas a Dayvid. As quatro empresas que "concorreram" foram: Dinâmica Editora, de Dayvid Medeiros HD Cultural, de Dayvid Cometa Livraria, sediada no endereço da antiga empresa de Dayvid NTT Editora, que não possui CNPJ nem sede, mas que, pelo nome, a PF acredita ser de Heric Dias, ex-sócio de Dayvid Ao fim, a Dinâmica Editora foi selecionada, mas o material foi produzido pela HD Cultural. Uma nota fiscal foi emitida em fevereiro de 2025, porém os livros só foram entregues em junho de 2026, mais de 465 dias depois da nota fiscal, após o ICB ser cobrado pelo ministério. O prazo para realização do projeto, porém, havia encerrado em janeiro de 2026, e o público alvo nunca recebeu o material. No mesmo projeto de R$ 1 milhão bancado pela emenda de Mário Frias, foi destinado R$ 300 mil para produção do kit pedagógico "digital". Nesta segunda "licitação", concorreram quase as mesmas empresas: HD Cultural Cometa Livraria NTT Editora Instituto Super Poder Educacional, de Pamella Cristiane Dias, irmã de Heric Dias, sócio de Dayvid, e coordenadora editorial da HD Cultural de Dayvid Ao fim, foi selecionado o Instituto Super Poder Educacional, cujo endereço cadastrada no CNPJ é o mesmo de uma loja de roupas, em Guarulhos (SP). A empresa contratada por R$ 300 mil entregou 10 videoaulas em uma plataforma online. Juntos, os 10 vídeos acumulavam 7 visualizações, o que foi considerado pela investigação como "incompatível" com a meta do projeto, de 2.500 pessoas. Editoras movimentaram milhões A editora Cometa Livraria, localizada no bairro Quintino Cunha, em Fortaleza, foi criada em 2022. De acordo com a Polícia Federal, de lá para cá, isto é, um período de quatro anos, a microempresa recebeu mais de R$ 36 milhões em recursos do Fundeb e do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). Entre maio de 2025 e abril de 2026, a Cometa Livraria recebeu e, na sequência, transferiu mais de R$ 28 milhões. A maior parte dos recursos, segundo a PF, provém de contratos com prefeituras e secretarias de Educação no Nordeste. A Polícia Federal não apresentou indícios de ilegalidade nesses contratos, no documento obtido pelo g1. Desses R$ 28 milhões, a maior parte foi transferida para as editoras da família de Dayvid e Dawyson, que são efetivamente responsáveis pela produção dos livros didáticos entregues às prefeituras, uma vez que a Cometa atuaria apenas como distribuidora. A Polícia Federal não chegou a apontar uma ilegalidade nas transferências, mas chamou atenção para para "o alto volume de saques em espécie" com valores de R$ 49.991, valor abaixo de R$ 50 mil, quantia que, quando sacada, gera notificação às autoridades monetárias. Somente em março de 2026, foram sacados R$ 549 mil em 11 saques. Para a Polícia Federal, os saques são "indícios de tentativa de burla aos sistemas de controle" e o período em que ocorreram é "compatível com os fatos investigados", mas a PF não explicou se o dinheiro tem relação direta com as suspeitas de desvio de emendas parlamentares de Mário Frias. Repasse da NTT para 'Dark Horse' Karina Ferreira da Gama, dona da empresa Go UP Entertainment, responsável pelo filme ‘Dark Horse’ - sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Reprodução/Redes Sociais A PF aponta uma possível conexão indireta entre recursos relacionados ao ICB, empresas vinculadas ao grupo empresarial de Heric Dias, a NTT Brasil e a Go Up Entertainment, responsável pelo filme "Dark Horse". A Dinâmica Editora e o Instituto Super Poder Educacional são apontados como integrantes do mesmo grupo empresarial: a Dinâmica pertence a Dayvid Medeiros, enquanto a Super Poder Educacional está em nome de Pamella Cristiane Dias, que é apresentada também como coordenadora editorial da HD Cultural, outra empresa de Dayvid Medeiros. Juntas, a Dinâmica de Dayvid e a Super Poder Educacional de Pamella receberam juntos cerca de R$ 700 mil do ICB. Posteriormente, a NTT Brasil, administrada por Heric Dias, que já foi sócio de Dayvid, transferiu R$ 750 mil à Go Up no mesmo período em que o filme estava sendo filmado. A própria PF ressalva, porém, que os elementos disponíveis não permitem afirmar que os R$ 750 mil transferidos pela NTT tenham origem direta nos recursos recebidos do ICB. Contudo, para os investigadores, a coincidência entre os valores e a proximidade temporal das operações são circunstâncias relevantes para a análise financeira. Assista aos vídeos mais vistos do Ceará:
Compartilhar: WhatsApp Facebook X
Leia também